As melhores séries de 2020

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Neste ano tivemos várias produções nacionais e internacionais incríveis. Obras que discutiram temas importantes como a violência contra a mulher, racismo, saúde mental, sexualidade na adolescência, o ódio contra minorias, questões de classe, entre outros. E também fomos agraciadas com séries leves e divertidas que enalteceram personagens femininas, amizades entre mulheres, universos paralelos, além de viagens no tempo que nos permitiram conhecer a mãe da ficção científica, Mary Shelley. Confira nossa curadoria das melhores séries de 2020!

Indicadas por Laysa Leal

The Crown (4ª temporada)

Como já era esperado pelas presenças de Princesa Diana e Margaret Thatcher — interpretada por Gillian Anderson, que de uma vez por todas prova sua versatilidade —, a nova temporada de The Crown é a mais controversa entre as quatro. Entre privilégios, caprichos e muito ego, personagens que outrora conquistaram a simpatia (ou empatia) do público agora inspiram o sentimento contrário, o que já rendeu alguns pronunciamentos raivosos — e críticas elogiosas.

Não se pode deixar de pontuar o já aclamado primor técnico da série, especialmente no que diz respeito à direção de arte e a todo o processo de caracterização, aliado ao trabalho de casting. Uma das poucas produções que paramos para assistir já com a certeza de que será tão boa quanto as temporadas anteriores.

Sex Education (2ª temporada)

Em sua segunda temporada, Sex Education mantém-se como uma das melhores séries teen da atualidade. A nova temporada explora questões como doenças sexualmente transmissíveis, assédio sexual, alcoolismo e uso de drogas, entre outros temas, junto a situações e questionamentos com os quais a maioria de nós — se não todos — é capaz de se identificar em maior ou menor grau.

Apesar de algumas falhas no desenvolvimento de novos personagens e clichês desnecessários no núcleo principal, é um alento ver uma produção de grande alcance oferecer tamanha representatividade e abordar temas tão fundamentais, comumente negligenciados, de maneira fluida e responsável, leve e divertida.

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Dark (3ª temporada)

Poética e existencialista, a terceira e última temporada de Dark é tão ambiciosa quanto as outras — no bom sentido. Mergulhamos no universo paralelo que nos é apresentado ao fim da segunda temporada e em saltos temporais ainda mais extensos, o que torna o trabalho de design de produção, aliado à fotografia, ainda mais fundamental. Ironicamente, seu nível de complexidade faz com que algumas soluções pareçam demasiado simples para alguns, enquanto outras são propositalmente negligenciadas — o que só reforça sua genialidade.

Dark é o perfeito exemplo de que, mesmo em produções de estrondoso sucesso, mais vale se ater ao planejamento e saber a hora de parar que se render à comerciabilidade do hype. Um final digníssimo para uma série fantástica.

Indicadas por Julia Barth

I May Destroy You 

Arabella (Michaela Coel) é uma independente londrina de ascendência ganesa cheia de amigos e uma promissora carreira de escritora. Mas quando colocam drogas em sua bebida, ela precisa questionar e reconstruir todos os elementos de sua vida. I May Destroy You é uma série autobiográfica escrita, dirigida e estrelada por Michaela Coel (Chewing Gum). A série é uma co-produção entre a BBC e HBO.

I May Destroy You aborda com franqueza o tabu que são os abusos sexuais e como isso afeta as vidas das mulheres. Ao longo da jornada de Arabella, vemos uma mulher que se reafirma e interioriza suas dores. A produção se consagra como uma das melhores séries de 2020 e certamente é uma forte concorrente para as premiações de 2021.

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Boca a Boca

Em uma cidade do interior do Brasil, após uma festa com alucinógenos e pegação, uma doença misteriosa transmitida pelo beijo contamina os adolescentes. A primeira vítima é Bel (Luana Nastas), que apresenta manchas em tom de roxo na boca. Depois de ser levada ao hospital, seus amigos Chico (Michel Joelsas), Alex (Caio Horowicz) e Fran (Iza Moreira) começam a mapear todos que se beijaram na festa.

Boca a Boca é uma série brasileira original Netflix que ganhou notoriedade através da internet. A obra busca fazer um debate entre a juventude e o conservadorismo através de uma narrativa madura e criativa.  Destaque para a estética deslumbrante, com o uso das cores fortes e uma trilha sonora para não por defeito. A série o intuito de aproximar o público jovem e passar mensagens poderosas.

Indicada por Bruna David

We Are Who We Are 

Em We Are Who We Are, os jovens Fraser (Jack Dylan Grazer) e Caitlin (Jordan Kristine Seamon) vivem com os pais numa base militar americana perto de Veneza, na Itália. O introvertido Fraser acaba de chegar ao local e sente falta dos amigos que deixou em Nova York, sua cidade natal. A destemida Caitlin mora lá há anos e já domina o italiano. Juntos, eles enfrentam os dramas típicos da adolescência, como amizade, primeiros amores, construção de identidade e conflitos familiares.

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We Are Who We Are é uma minissérie da HBO. Trata-se do primeiro trabalho original do cineasta italiano Luca Guadagnino (Me Chame pelo Seu Nome e Suspiria) para a TV. A produção de Guardagnino é pura sensibilidade e emoção, buscando apresentar as nuances da adolescência e também sua efemeridade. Além disso, a obra aposta no tangível e no perceptível para falar sobre transgênero na adolescência.

Indicada por Elisa Guimaraes

Nada Ortodoxa

Nada Ortodoxa é o tipo de drama low profile que acaba passando despercebido em meio às estreias bombásticas da Netflix. Isso, por si só, não a torna digna de recomendação. O que lhe vale um lugar na lista é a forma cuidadosa e carinhosa como ela fala de encontrar o seu próprio caminho em meio a pressões sociais extremas.

A minissérie, de apenas quatro episódios, conta a história de Esty (Shira Haas), uma jovem judia de 19 anos, criada em uma comunidade ultraortodoxa em Nova York, que foge para Berlim. A série pinta um retrato triste de vidas geridas por um tradicionalismo hipócrita – personificado por Moishe (Jeff Wilbusch) – que machuca até mesmo os que mais têm a ganhar com ele.

Baseada em uma história real, Nada Ortodoxa toma cuidado para não transformar sua protagonista em uma mocinha indefesa, bem como para não vilanizar as pessoas que a cercam. Isso faz com que a jornada de autodescoberta de Esty seja satisfatória, mas também dolorida.

Indicada por Flavia Azolin

The Great

Feita pelo canal Starz e disponibilizada pela Prime Video, The Great conta uma versão levemente verídica da história da imperatriz Catarina da Rússia. Após um casamento que acabou não sendo nada como esperava, a jovem e intelectual Catarina se vê presa à um marido infantil, mimado e completamente irresponsável para com o país que governa. Ela inicia então uma jornada como líder política, onde precisará aprender a se impor em uma sociedade que não valoriza as mulheres, bem como a fazer sacrifícios pelo bem maior da Rússia. A série é carregada de um humor quase sombrio, que permeia um retrato do sexismo em uma sociedade que parece não ter mudado tanto assim.

Indicada por Vanessa Grigoletto

Normal People

Quando vemos a foto de divulgação de Normal People (Hulu), temos a impressão de outra trama a la Gossip Girls, mostrando jovens ricos, brancos e magros em seus white people problems. A mágica acontece quando buscamos por uma série aparentemente superficial e somos devorados pelos contornos quase em 3D desse encontro épico que é o de Marianne (Daisy Edgar-Jones) e Connel (Paul Mescal).

Adaptado do best seller do New York Times que leva o mesmo nome, com roteiro da própria autora irlandesa Sally Rooney, Normal People já figura em muitas listas das melhores realizações da TV internacional em 2020. Difícil explicar a razão desse sucesso, mas a palavra que pode ser escolhida para resumi-la pode ser precisão, e claro que o texto base de Sally é grande parte disso.

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Trazendo um casting primoroso, a série espelha questões caras à tão mal fadada geração Y, com seus conflitos principalmente de classe, uma vez que Connel é filho de uma empregada doméstica e mãe solo, enquanto Marianne é de família abastada, porém repleta de violências psicológicas e físicas. Destaque também para a forma que o sexo é retratado na série: de maneira natural e não fetichizada. No final das contas, o livro/série pretende mostrar como a felicidade está nas coisas simples, normais, e Sally Rooney mostra tudo isso de uma maneira sexy e extraordinária.

Indicada por Juliana Trevisan

A Maldição da Mansão Bly

Depois do sucesso de A Maldição da Residência Hill, 2020 trouxe a história da Mansão Bly, com os mesmos atores e equipe de Mike Flanagan, mas baseada na ida de Dani (Victoria Pedretti) à mansão como governanta, para cuidar de dois órfãos. Ao longo da série nos é apresentada uma figura misteriosa sem face que assombra as redondezas da mansão e sua história, contada nos episódios finais é surpreendente.

Uma série de terror com representatividade e histórias muito bem amarradas que vale a pena pra quem adora uma casa mal assombrada. Recomendo principalmente se você já gostou de como a trama de A Maldição da Residência Hill foi conduzida e gostaria de ver mais representatividade no universo do terror.

Indicada por Camille Legrand

Lovecraft Country 

Lovecraft Country 

Desde quando foi anunciada, a adaptação televisiva do clássico literário sci-fi instantâneo de Matt Rufy (Intrínseca) já quebrou barreiras e se inseriu nos grandes exemplos do horror preto. Aproveitando a onda revivida por Jordan Peele, que inclusive a produziu, Lovecraft Country mistura elementos do horror clássico (do mundo de H. P. Lovecraft) com terrores ancestrais e modernos.

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A forte representação feminina, sendo protagonizada e antagonizada por mulheres, e as críticas pontuais acerca da diversidade sexual e do imperialismo branco, a tornam dolorosamente atual. No mais, a série, – única do gênero com um elenco majoritariamente preto – por ser ambientada em meio aos Estados Unidos legalmente segregado, elucida inúmeras historicidades relacionadas a questão racial e as envolvem em meio a horrores sobrenaturais. Terminamos Lovecraft Country com a dúvida: quem é monstro e quem é humano?

Indicadas por Mia Sodré

Doctor Who (12ª Temporada)

A 12ª temporada de Doctor Who estreou no começo do ano e nos trouxe mais uma face da Doutora, assim como talvez a revelação de enredo mais importante de todos os mais de cinquenta anos da série.

Ainda tratando de temas políticos e atuais, Doctor Who continua nos presenteando com viagens ao passado, como a visita da Doutora e de sua ao laboratório de Nikola Tesla, ou um bate-papo com Ada Lovelace e, é claro, uma noite na Villa Diodati, para presenciar o nascimento de Frankenstein, de Mary Shelley – que resulta em assombrações, muitas referências ao gótico e um triste mistério.

A 12ª temporada terminou nos deixando com vontade de entrar na TARDIS e ir até o futuro para saber que surpresas Doctor Who nos reserva. Mal posso esperar para descobrir o que acontecerá à nossa viajante do tempo favorita!

Run

Embora não seja tão emblemática quanto Fleabag, a qual foi inicialmente comparada, Run possui seu mérito. Criada por Vicky Jones e produzida pela mesma e pela criadora de Fleabag, Phoebe Waller-Bridge, nela acompanhamos Ruby e Billy numa aventura romântica que logo veste tons sombrios.

Ruby e Billy fizeram um pacto há 17 anos que consiste em um largar tudo o que estiver fazendo para encontrar o outro quando receber uma mensagem com a palavra “run” (“corra”). No entanto, em apenas 7 episódios, descobrimos que eles são pessoas muito mais complicadas do que pensamos nas primeiras cenas.

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Infelizmente cancelada ainda na primeira temporada, Run deixou sua marca em 2020 por ser uma narrativa de um casal que não deu certo envolvendo um final com cara de vida adulta, mas que nos deixa imaginando o que poderia ter acontecido com Ruby e Billy.

Hunters

É a Nova York de 1977 e o nazismo está em alta. Jonah quer vingar o assassinato da avó, uma sobrevivente do Holocausto, e logo encontra um grupo de apoio formado por judeus que decidem acabar com o nazismo nos EUA. Hunters é uma série incrível que toma contornos ainda mais assustadores por ser amplamente baseada em fatos reais – como o fato de muitos nazistas terem se refugiado nos EUA, por exemplo.

Quando estreou, em fevereiro, num momento pré-pandemia, grupos neo-nazistas estavam atacando com força pessoas com ascendência judaica, assim como a população negra. O ódio a minorias ainda é uma realidade, mesmo com a pandemia, e existe uma importância gigantesca em criar histórias que ilustrem isso. Hunters está em sua primeira temporada e foi renovada no Prime Video.

Indicadas por Clarissa Amariz

Bom dia, Verônica

Á primeira vista, Bom Dia, Verônica, lançada pela Netflix em outubro de 2020, parece mais uma série de detetives comum, focada em casos procedurais, atiçando o espectador a desvendar um crime por semana. No entanto, se engana quem pensa isso sobre a adaptação da obra homônima de Ilana Casoy e Rafael Montes: a jornada de Verônica e as demais personagens femininas vai bem mais além, e toca sem medo nas feridas profundas e nas inúmeras dificuldades, dores, sofrimentos e abusos sofridos por mulheres pelo país afora, além de uma trama bem original e constantemente envolvente. 

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Graças à interpretação equilibrada e muito acertada da talentosa Tainá Müller, Verônica não cumpre o papel “apenas” de uma justiceira, fugindo um pouco desse clichê comum em histórias policiais, e sim como um apoio extremamente empático e interessado às vítimas que chegavam na delegacia. Destaque, também, para as interpretações de Camila Morgado, no papel de Janete, e Eduardo Moscovis, que faz Mourão, prepare-se para odiar um personagem já nas primeiras cenas da série.

The Boys (2ª temporada)

Umas das estreias mais aguardadas da Amazon Prime esse ano, The Boys satiriza e critica um mundo que idolatra super-heróis, capitalismo, sexismo, racismo e o poder sem limites. E a segunda temporada mantém o mesmo nível de questionamento sobre importantes questões sociais, tornando fantasioso o mundo dos sobre-humanos, muito real e próximo demais do nosso.

O que impressiona e faz com que o espectador maratone – ou espere ansiosamente pelo próximo episódio na semana seguinte –  é como o roteiro dá espaço e desenvolve muito bem todos os arcos do número expressivo de personagens que a trama possui, mantendo o fôlego da trama de maneira dinâmica, sem esquecer jamais de resolver todas as questões importantes dos seus plots principais. Além disso, a trilha sonora é impecável! Vale a pena conferir.

Indicada por Athena Bastos

Valéria

Valéria é uma daquelas séries que aparecem repetidamente na sua conta da Netflix e você começa a assistir, sem saber que não parará antes de chegar ao último episódio. Inspirada no livro de Elisabet Benavent, a série espanhola sabe utilizar bem o formato de um grupo de amigas com personalidades marcantes, triângulos amorosos e debates contemporâneos desenvolvidos com leveza.

A série segue a protagonista, Valéria, em sua redescoberta como escritora e como mulher. Ao mesmo tempo em que Valéria precisa viver novas experiências para encontrar inspiração e finalizar um livro que seja aceito por sua editora, ela enfrenta problemas em seu casamento. Seduzida pelo desejo de ir além dos limites, Valéria pode descobrir que aquilo que deseja vai além dos relacionamentos em que se encontra.

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De outro lado, há Lola, Carmen e Nerea. Lola se entrega a relações com desapego, até que se apaixona por um homem casado e precisa se reencontrar com o passado para encontrar a felicidade. Carmen busca um romance no trabalho, mas é confrontada pela competição com seu própria par. E Nerea, quem traz parte do movimento feminista a série, precisa confrontar a família ao assumir sua homossexualidade.

Valéria é uma série com seus clichês e também pontos de melhoria, mas que traz bem discussões de gênero e, principalmente, de relacionamentos, ainda que com uma visão branca e eurocêntrica.

Indicada por Kethycia Maria

It’s okay to not be okay

O drama coreano It’s okay to not be okay trouxe neste ano uma temática ousada para o entretenimento: saúde mental; assunto que, até hoje, é um tabu delicado na Coreia do Sul, país de origem da obra.

Na história temos três protagonistas: Moon Kang Tae (Kim Soo Hyun) é um técnico de enfermagem que atua na ala psiquiátrica do hospital; Ko Moon Young (Seo Ye Ji) possui transtorno de personalidade antissocial, e apesar dessa característica, ela consegue extravasar seus sentimentos e emoções em seus livros infantis; e Sang Tae (Oh Jung Se), irmão mais velho de Kang Tae, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A vida dos três se entrelaça e o drama se desenvolve a partir disso. A produção recebeu elogios da crítica especializada, uma vez que discute de maneira responsável e humanizada temas relacionados a saúde mental e a condição de tratamento das doenças e transtornos expostos entre os capítulos.

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It’s okay to not be okay possui ousadia e leveza, além da dedicação em explorar estes assuntos unidos à delicadeza que literatura e arte transmitem; além de, é claro, ter aquela dose deliciosa de romance que, para as dorameiras de carteirinha, é de se esperar das “novelas asiáticas”.

Indicada por Ibiti

O Gambito da Rainha

A minissérie, dirigida por Scott Frank, é uma adaptação para a Netflix do romance de mesmo nome do escritor norte-americano Walter Tevis, publicado em 1983, que segue a incrível trajetória da órfã Beth Harmon (Anya Taylor-Joy) em seu objetivo de se tornar a melhor jogadora de xadrez do mundo. A menina aprende a arte do enxadrismo com o zelador do orfanato onde vive, Mr. Shaibel (Bill Camp).

O Gambito da Rainha é uma ficção em sete episódios ambientada nos anos 60, que trata temas como abandono e abuso de substâncias químicas, além de questionar o patriarcado e discutir sobre igualdade de gênero, por exemplo, ao abordar o machismo no xadrez. E a minissérie agradou também à audiência: é uma das cinco mais assistidas no Brasil e recebeu vários elogios da crítica especializada.


Edição, revisão e arte em destaque por Isabelle Simões.


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