Melhores leituras de 2020

Melhores leituras de 2020

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Entre leituras macabras, melancólicas ou tristes, histórias que trouxeram um quentinho em nosso coração ou que nos fizeram conhecer mulheres extraordinárias e inspiradoras, finalizamos o nosso especial citando algumas das melhores leituras de 2020. Confira!

Indicado por Bruna David

Tálamo – Larissa Darc

Neste ano sombrio que vivemos, nada melhor do que um bom livro para nos tirar da tensão do mundo. Pois é isso mesmo que Larissa Darc, com uma escrita leve e fluida, nos proporciona.

Junto com a protagonista Alice – uma mulher que ama mulheres e mora na cidade de São Paulo – vivemos dramas, solidões, encontros, desencontros consigo mesma e com as pessoas em volta. Presenciamos ainda um final surpreendente para uma história que, se fosse na vida real, estaria só começando. Tálamo está disponível em e-book e na versão física.

Indicado por Lorene Correia

Garota, mulher, outras – Bernardine Evaristo

A obra vencedora do Booker Prize em 2019 chegou ao Brasil pela Companhia das Letras em 2020. Garota, mulher, outras é o livro mais recente da escritora britânica Bernardine Evaristo e o único publicado por aqui.

Em Garota, mulher, outras, Bernardine conta as histórias de doze personagens muito diferentes entre si: em idade, sexualidade, gênero, classe social, privilégios, entre outros. A heterogeneidade de suas histórias nos apresenta uma diversidade de vivências que ressalta a importância e a necessidade das diferentes narrativas. As histórias se distanciam mas também dialogam e, de alguma maneira, se entrelaçam.

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As dissonâncias e conexões das personagens de Garota, mulher, outras, nos dão a certeza de que a nossa maior força em um mundo ainda patriarcal é a vastidão do nosso espectro de vivências. A polifonia de nossa diversidade, mais que desejável, é a condição necessária para que todes sejamos livres.

Indicados por Isabelle Simões

Grama – Keum Suk Gendry-Kim

Lançado pela editora Pipoca & Nanquim, Grama é uma história real, dolorida e necessária. A quadrinista Keum Suk Gendry-Kim conta a vida da sul-coreana Ok-sun Lee, vendida pela própria família na infância e forçada à escravidão sexual pelo Exército Imperial Japonês.

Em um dos episódios mais desprezíveis da história da humanidade, Ok-sun Lee foi uma das milhares de mulheres capturadas para serem abusadas constantemente pelos soldados nas chamadas “casas de conforto”, que existiram na China e em territórios ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa e a Segunda Guerra Mundial. Um dos pontos positivos da obra é que a autora opta por não retratar cenas graficamente explícitas de violência e abuso. Tal fator não banalizada a dor e o peso da história unicamente pelo impacto gráfico.

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Junto com A guerra não tem rosto de mulher e Minha Coisa Favorita é Monstro, Grama é uma das obras mais importantes que temos sobre a violência feminina durante a Segunda Guerra Mundial, violência essa que infelizmente ainda ocorre. Hoje, com 93 anos de idade, a sobrevivente Ok-sun Lee é uma verdadeira heroína. Ela é uma importante ativista que ainda luta pelo pedido de indenização do Japão das mulheres que tiveram suas vidas destruídas sob comando do governo. A voz de Ok-sun Lee, portanto, jamais deverá ser esquecida.

O Príncipe e a Costureira – Jen Wang

Um vestido é uma peça simples e inofensiva, mas que pode incomodar bastante algumas pessoas. O Príncipe e a Costureira, quadrinho de Jen Wang publicado pela Darkside Books, é mais que uma simples história de vestidos e criações do mundo da moda, trata-se de um conto de fadas sobre aceitação, amizade e empatia.

A obra vencedora do Eisner Award em 2019 nas categorias de melhor publicação juvenil e melhor roteirista/desenhista, conta a história de Sebastian, príncipe herdeiro da Bélgica, e Frances, uma costureira que busca liberdade em suas criações e reconhecimento profissional. No entanto, Sebastian tem um segredo. Ao passear de noite pelas ruas de Paris, ele gosta de usar vestidos e se apresenta como Lady Crystallia, que vira um ícone fashion da cidade. Frances, torna-se sua amiga e costureira, além de ser uma das duas únicas pessoas que sabem a verdade.

Assim como as linhas mágicas de Frances são capazes de criar os vestidos mais belos de Paris, a história de O Príncipe e a Costureira é costurada do início ao fim para nos fazer refletir que roupas são apenas peças divertidas e que o mundo seria um lugar mais leve e melhor sem a intolerância e o binarismo de gênero em nossas escolhas e desejos.

Mulheres Extraordinárias: As Criadoras e a Criatura – Charlotte Gordon

Duas mulheres visionárias, revolucionárias e que desafiaram as normas da sociedade. Mãe e filha que conviveram por pouco tempo, mas que compartilharam do mesmo espírito libertário em busca de igualdade. Escrito pela poeta e biógrafa Charlotte Gordon e publicado pela Darkside Books, Mulheres Extraordinárias: As Criadoras e a Criatura é uma biografia dupla sobre as histórias de Mary Wollstonecraft e Mary Shelley, a primeira, considerada uma das primeiras feministas da história, a segunda, a mãe da ficção científica e autora do clássico Frankenstein.

Wollstonecraft e Shelley foram totalmente contra os ideais de submissão feminina de suas épocas. Elas não apenas ousaram escrever em um período onde as mulheres estavam submetidas aos cuidados domésticos e familiares, como também adentraram em espaços masculinos poderosos. E se hoje em dia ainda há um grande tabu ao falarmos sobre prazer feminino e outras formas de relacionamento, imaginem naquela época! Shelley, assim como sua mãe, era adepta ao relacionamento aberto e era atacada constantemente por subverter o padrão feminilidade.

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Quanto tempo tivemos que esperar para ter uma obra completa dessas duas grandes figuras femininas? Conhecer a vida dessas criadoras é mais que um dever, trata-se de uma reparação histórica, sobretudo daquelas que abriram portas para tantas outras mulheres. Por tal motivo que a obra configura-se como um dos melhores e mais importantes lançamentos do ano.

Indicado por Juliana Trevisan

Vitorianas Macabras – diversas autoras

Créditos: Darkside Books

O livro organizado por Marcia Heloisa e lançado pela editora Darkside Books no início do ano, é uma antologia de contos de terror escritos por mulheres da Era Vitoriana. Em anexo aos contos, o livro apresenta uma mini biografia das autoras e conteúdos extras como curiosidades acerca de costumes e comportamentos pra lá de esquisitos dessa época tão misteriosa.

Além dos contos serem bem interessantes, Vitorianas Macabras ganha uma importância ainda maior por ser um meio de manter as vozes dessas mulheres vivas. Pelo teor histórico e pela valorização das mulheres, tão apagadas na época, esse livro ganha espaço como melhor do ano e é altamente recomendado se você gosta dos acontecimentos macabros da Era Vitoriana.

Indicados por Mia Sodré

Sol da meia-noite – Stephenie Meyer

Foram anos esperando pela visão de Edward Cullen dos acontecimentos de Crepúsculo, mas ela finalmente chegou. Sol da meia-noite ainda é o primeiro livro da saga Crepúsculo, mas narrado por Edward, o que torna a experiência muito mais interessante.

O vampiro, além de ser melancólico por si próprio, possui a capacidade de ouvir os pensamentos dos outros (e enxergar suas lembranças), então a narrativa assume diversos narradores dependendo da situação. Sol da meia-noite é um livro rico e perfeito para quem estava com saudade de Forks.

The Book of Longings – Sue Monk Kidd

Nunca havia lido nada da Sue Monk Kidd e não sabia o que esperar de sua escrita. Portanto, foi uma boa surpresa encontrar no livro uma ficção histórica riquíssima que não apenas dialoga com a atualidade, com os papéis da mulher na sociedade, especialmente a mulher enquanto escritora, como também nos permite vislumbrar um panorama deixado de lado ao longo da história: quem eram as mulheres na vida de Jesus?

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Embora possua temática religiosa, o livro está longe de ter seu centro na figura do Cristo ou na fé que foi construída em torno dela. Ele é sobre Ana, a esposa de Jesus, uma mulher que traçou seu próprio caminho ao lado do Nazareno. Ela é ficcional, ainda que existam rumores de que possa ter existido, mas a autora não tenta provar nada, apenas nos faz questionar: se tal mulher existiu, teríamos ouvido sua voz? Ela teria chegado até nós? The Book of Longings tornou-se facilmente um dos meus livros preferidos e mal posso esperar para vê-lo publicado por aqui.

Na Corda Bamba – Kiley Reid

Recentemente publicado pela editora Arqueiro, Na corda bamba (Such a fun age, no original) é o livro de estreia da escritora Kiley Reid. Nele, conhecemos Emira, uma jovem negra de vinte e poucos anos que trabalha como babá para uma família rica de pessoas brancas. Um dia, quando ela vai ao mercado com Briar, a menina de dois anos de quem cuida, é surpreendida por um segurança que afirma que ela sequestrou a criança. A partir daí, os eventos se desenrolam e somos apresentados a uma narrativa sobre o racismo – tanto aquele explícito quanto o disfarçado de boas intenções.


Edição, revisão e arte em destaque por Isabelle Simões.


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