8 jogos com ótima representação LGBT para conhecer!

8 jogos com ótima representação LGBT para conhecer!

A representação de personagens LGBT ainda é escassa em games, e em alguns títulos mais antigos acaba colocando os personagens de forma caricata ou negativa. Pensando nisso, decidimos listar alguns jogos que abordam a temática ou que permitem que a jogadora possa criar uma personagem LGBT, se assim quiser.

O dia 17 de maio é reconhecido internacionalmente como dia de luta e combate contra a homofobia, a lesbofobia, a bifobia e a transfobia. É uma data de extrema importância para trazer visibilidade às discussões que cercam o cotidiano da população LGBT. Foi neste dia, há 28 anos, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID).

Dream Daddy

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No assunto de representação LGBT, Dream Daddy é um dos jogos que não poderiam faltar. Desenvolvido por Game Grumps, Dream Daddy é um simulador de namoro aonde você joga como um pai que acabou de se mudar com sua filha Amanda para uma área cheia de pais solteiros.

O mais interessante de Dream Daddy é que além de uma gameplay divertida e interessante e a representação de personagens homossexuais e bissexuais, também temos personagens transexuais que são tratados com naturalidade. Como exemplo de personagem trans confirmado pelos próprios criadores temos o Damian, ou o pai gótico, que chega a fazer menção disso durante uma de suas conversas. Outro personagem que pode ser trans é o seu personagem, ou sua dadsona, que pode ser um homem cis ou trans dependendo de suas escolhas. Confira o jogo na Steam.

Cute Demon Crashers

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Menos conhecido do que os demais, porém não menos interessante é o jogo indie Cute Demon Crashers, criado por SugarScript. Criado pensando no público feminino, o jogo conta a história de Claire, que em uma noite se depara com uma súcubo e três incubus que chegaram em sua casa por meio de um portal.

Quanto a representatividade em nesse jogo, ela é bem abrangente, incluindo homossexualidade, bissexualidade e até um personagem aro (abreviação de *aromantic: é uma pessoa que sente pouca ou nenhuma atração romântica). Além da presença de personagens LGBT, Cute Demon Crashers também traz uma mensagem muito positiva em relação ao sexo e a aceitar seu próprio corpo, além de lidar também com o seu consentimento, que é algo que por vezes deixa a desejar em jogos como esse. Nada de mais íntimo vai acontecer no jogo se você não quiser e você pode parar qualquer atividade apenas apertando o botão “Stop” no canto superior da tela a qualquer momento, sem qualquer consequência negativa na gameplay.

Mass Effect

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Arte: Ma-rin (Deviantart)

A franquia Mass Effect iniciou em 2007, lançado primeiro para Xbox e chegando ao PC e Playstation no ano seguinte. O primeiro jogo da série trazia mais elementos de RPG e exploração, enquanto que os jogos posteriores continham mais ação e combate.

Na trilogia inicial, você encarna a Comandante Shepard (é possível jogar com a versão masculina também), uma oficial de elite que é enviada em uma missão exploratória e acaba descobrindo uma raça de inimigos mais poderosa do que qualquer outra na história da galáxia. Já em Mass Effect: Andromeda, você assume o lugar de Ryder, a responsável por guiar a arca humana em uma nova galáxia (confira nosso review).

Nos dois primeiros jogos da série, era possível ter uma relação romântica com uma personagem feminina* jogando com a FemShep, mas não tinha um equivalente masculino para o MaleShep. No terceiro jogo, o estúdio finalmente opções de romances entre personagens do mesmo sexo, sendo exclusivamente homossexuais.

Em Mass Effect: Andromeda, foi apresentada uma personagem trans, mas a história não foi tão bem desenvolvida no lançamento, tanto que o estúdio se retratou da falta de tato para representar um conteúdo tão delicado. Vale ressaltar que as opções de romance hétero ainda são maioria, e um jogador masculino hétero ainda tem maior quantidade de possíveis romances e exclusividade, considerando que metade dos romances de mesmo sexo femininos também são possíveis para um jogador masculino (confira um infográfico sobre as opções aqui).

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Fallout 4 

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Arte: Tumblr (reprodução)

Fallout 4 é um jogo de RPG e ação, lançado em 2015 para PS4, PC e Xbox One. A história se passa em Boston, cerca de 200 anos após a destruição em massa dos Estados Unidos por armas nucleares. Logo no início do jogo, é dada a opção de jogar como Nora ou Nick, que são casados. Sua personagem é conhecida como a Última Sobrevivente do abrigo 111 – que foi criado para servir de proteção contra os danos causados pela radiação –  e deve reencontrar seu filho na Boston destruída pelas bombas e povoada por criaturas mutantes, além de facções humanas com objetivos próprios.

Assim como em outros jogos de RPG, é possível recrutar personagens para acompanhar a protagonista e eventualmente estabelecer um relacionamento romântico. Em Fallout, todas as opções de romance estão disponíveis para ambos os sexos, sem distinção de preferência dos personagens. Isso pode ser visto como uma vantagem em relação a outros jogos que também permitem romances entre personagens de mesmo sexo, especialmente quando o relacionamento mostrado entre uma personagem e a protagonista feminina certamente teria brecha para romance se uma delas fosse homem.

Tanto Fallout quando Mass Effect não fazem menção às dificuldades enfrentadas por pessoas LGBT no mundo ocidental, seja no passado ou atualmente. Isso é algo positivo, pois proporciona a experiência de fugir da realidade e imersão no universo criado pelo jogo.

Dragon Age

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A (até agora) trilogia de RPG da BioWare, Dragon Age nos apresenta ao mundo de Thedas, calcado em uma fantasia medieval tingida em tons algo sombrios, tanto nos aspectos fantásticos quanto nos políticos. O primeiro jogo, lançado em 2009, abraçou elementos que já haviam aparecido em Mass Effect, outro título recente da desenvolvedora que também veio a conquistar uma legião de fãs: a necessidade de se estabelecer um bom relacionamento com aliados, somada à possibilidade um relacionamento amoroso com alguns destes.

É importante ressaltar que, exceto por algumas regiões e situações específicas, Thedas não é um mundo heteronormativo; personagens homossexuais e transexuais têm, de forma geral, a mesma liberdade social que heterossexuais – exceto no caso de nobres, que são comprometidos com a transmissão da linhagem familiar. A perseguição à população LGBTQ+ como conhecemos encontra reflexo na região de Tervinter, que se assemelha, em termos de ideologia, a países reais onde homossexualidade ainda é considerada crime – e esse aspecto é especialmente trabalhado na história de Dorian, um personagem gay romanceável do terceiro jogo da franquia. Extremamente carismático e popular entre o público, mesmo para aqueles que não o veem como uma opção romântica, Dorian permite que os abusos de Tervinter sejam vistos como o horror que verdadeiramente são.

Além dele, a franquia  de Dragon Age traz entre seus personagens romanceáveis Sera, uma lésbica cis; Zevran, Leliana e mais uma ampla cartela de personagens bissexuais, em especial no segundo jogo; e ainda Iron Bull, que pode ser dito pansexual. Há também personagens transexuais de enorme destaque na mitologia do jogo e mesmo em papéis políticos dentro de Thedas, como Maevaris Tilani, uma mulher trans, e Cremisius Aclassi, mais conhecido como Krem. Ambos são justamente da região de Tervinter e não apenas desafiam as convenções locais, como se tornam figuras extremamente valiosas. Krem, inclusive, foi o primeiro personagem trans a ser efetivamente parte de um jogo da BioWare – Maevaris é apenas mencionada.

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Overwatch

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Desenvolvido pela Blizzard Entertainment, Overwatch é um jogo de tiro multiplayer em primeira pessoa disponível para PC, PS4 e Xbox One. Após seu lançamento em 2016, o jogo foi indicado à diversas premiações, ganhando, inclusive, a de “Game of The Year“. Overwatch se passa após uma grande guerra entre humanos e Omnicos, tornando a relação humano e robô bastante delicada.

Graças a esse conflito, surgiu o grupo chamado Overwatch que buscava trazer paz ao cenário de guerra, mas após algumas polêmicas acabou sendo rejeitado e desfeito. A narrativa de Overwatch consiste do reagrupamento dos antigos membros para salvar a humanidade de todo o caos e violência que ainda atinge a sociedade.

Além de ser um game com uma ótima jogabilidade, cenários atrativos e uma história intrigante, Overwatch vale a pena ser jogado por ser representativo. É nítida a preocupação do jogo em trazer diversidade em seus personagens em várias instâncias: gênero, representação física, nacionalidade, e, inclusive orientação sexual. Buscando incluir a comunidade LGBTQ+, a 10ª edição da “Overwatch Comic” mostra Tracer, uma das personagens mais adoradas pelos fãs e garota-propaganda de Overwatch, beijando outra mulher.A cena trouxe diversas dúvidas e especulações sobre qual seria a orientação sexual da personagem britânica e se Emily era sua namorada.

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Beijo entre Tracer e sua namorada Emily em “Reflexos”.

Emily é namorada de Tracer, e após a revelação da comic, a Blizzard se posicionou e comunicou para a IGN UK que Tracer é oficialmente lésbica:

A Tracer é lésbica dentro da comunidade LGBTQ+. Assim como na vida real, ter variedade nos nossos personagens e as suas identidades ajudam a criar um universo de ficção muito mais rico e profundo. Desde o início nós queríamos que o universo de Overwatch fosse receptivo e inclusivo, refletindo a diversidade dos nossos jogadores ao redor do mundo. Assim como quaisquer outros aspectos na personalidade dos nossos personagens, a sexualidade é só uma pequena parte do que nossos heróis são.

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The Last of Us

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The Last Of Us é um jogo de sobrevivência desenvolvido pela Naughty Dog lançado em 2013 e super aclamado pela crítica. O game em terceira pessoa traz um cenário pós-apocalíptico provocado pelo surto do Cordyceps, um fungo cuja mutação causou comportamentos canibalísticos e hostis em humanos infectados. Isso resultou em uma epidemia nos Estados Unidos, dizimando a maioria da população e arruinando grande parte do país.

A narrativa de The Last of Us gira em torno de dois sobreviventes: Joel, um homem que trabalha para o mercado negro e pai amargurado após a morte da filha, e Ellie, uma adolescente órfã que cresceu na zona de quarentena e que é imune ao fungo. A partir desse encontro, Joel e Ellie enfrentam uma longa jornada, já que a garota acredita que sua imunidade pode ajudar no desenvolvimento de uma vacina e levar uma cura à população.

The Last of Us é um jogo excelente e a DLC “The Last of Us: Left Behind” não é diferente. Além de complementar a história revelando um pouco mais sobre o passado de Ellie antes de conhecer Joel, a DLC, ainda que seja uma lembrança nostálgica, agregou mais profundidade à uma personagem tão carismática quanto Ellie. A narrativa apresenta a relação da protagonista com sua melhor amiga Riley, uma adolescente de 16 anos que  também nasceu no mundo caótico dominado pela epidemia relatada em The Last of Us.

Durante a história, as garotas alimentam uma amizade muito forte e em um determinado momento do jogo, Ellie beija Riley, o que levantou muitas especulações sobre a orientação sexual da protagonista, deixando dúvidas se esta é bissexual ou lésbica. Grande parte dos fãs acreditam que ela seja lésbica, pois mesmo havendo personagens do gênero masculino no jogo, não é possível ver Ellie sentindo atração ou tendo um relacionamento romântico com qualquer um deles na franquia. O romance na história é evidente apenas na relação com Riley, deixando subtendido que Ellie é lésbica.

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Sendo lésbica ou bissexual, a protagonista se encaixa dentro dos LGBTQ+, agregando à The Last of Us representatividade e diversidade admirável e ainda ausente em muitos jogos. Ainda que tenham muitas teorias sobre o assunto, nenhum comunicado oficial foi feito por parte dos criadores do jogo ou pela Naughty Dog, logo a orientação sexual de Ellie possui interpretação aberta tanto para o fato da protagonista ser lésbica ou bissexual. Essa informação pode ser revelada no próximo jogo “The Last of Us Part II” que já está em desenvolvimento e, de acordo com o trailer, Ellie será o foco da trama.

Life is Strange

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Produzido pela Dontnod e publicado pela Square Enix, Life is Strange é um jogo lindo, daqueles que fazem chorar, mas também aquecem o coração. Foram 5 episódios lançados em 2015, além da prequel Life is Strange: Before the Storm (2017), desenvolvida pela Deck Nine Games. A história se passa em Arcadia Bay, quando Max Caulfield descobre possuir a habilidade de voltar no tempo e desencadeia uma sequência de eventos que a levará a decidir se salva sua cidade da destruição por uma tempestade ou não… Max divide o protagonismo com Chloe Price, sua melhor amiga de infância, que ajuda a desvendar os mistérios envolvendo o desaparecimento de sua amada Rachel Amber.

Em Life is Strange é nítido o quanto Chloe está preocupada com Rachel e as descobertas durante o jogo, assim como o final das personagens, mostram como a relação delas é profunda. No entanto, em nenhum momento confirma-se que elas são um casal, tudo fica subentendido e por isso muita gente discorda de que haja um romance. Before the Storm não mostra apenas como Chloe e Rachel se conheceram 3 anos antes dos eventos de Life is Strange, mas também como a conexão entre elas é imediata e intensa, típica do amor à primeira vista (e também de toda paixão adolescente).

Se no primeiro jogo o “algo além de amizade” ficava nas entrelinhas, em Before the Storm chega a ser palpável o quanto Chloe e Rachel se adoram e que ali existe amor, sim! A história delas é contada com delicadeza, da mesma forma que o enredo aborda temas como bullying, uso de drogas, conflito com os pais, além de todo o drama da adolescência. É impossível não se identificar com a narrativa, as personagens, e claro, a principal moral da história: toda escolha tem uma consequência!

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O artigo traz indicações das autoras Lili Reis, Camila Losano, Wladiana, Letícia LopesKarin Cristina.

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