De “Bacurau” a “Capitã Marvel”: os melhores filmes de 2019

De “Bacurau” a “Capitã Marvel”: os melhores filmes de 2019

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De “Bacurau” a “Capitã Marvel”, neste ano diversos filmes marcaram o cenário nacional e internacional. São histórias de terror que exploraram camadas raciais e relacionamentos abusivos. Jornadas de super-heroínas que mesmo diante de todo o seu poder tiveram que enfrentar o machismo. Filmes que escancararam o preconceito enfrentado por nordestinos ao mostrar a resiliência da população de uma cidadezinha. São obras que moldaram nossas vidas em 2019, mostrando a resistência em adversidades diferentes. Confira abaixo alguns dos melhores filmes de 2019.

Por Vanessa Grigoletto

Entre vinho e vinagre

melhores filmes de 2019

“Entre vinho e vinagre” é um filme lançado pela Netflix, com estreia da comediante Amy Poehler na direção cinematográfica. A obra conta a história de amigas de longa data que programam uma viagem para Napa Valley, uma espécie de Campos do Jordão dos Estados Unidos, comemorando os cinquenta anos de uma delas.

Boa parte do elenco e uma das roteiristas, Liz Cachowski, vêm da velha guarda do “Saturday Night Live” – a outra roteirista, Emily Spivey, vem de “Parks and Recreation” – mesma escola de sua dupla mais famosa, Amy Poehler e Tina Fey, também no filme como a outsider que aluga a casa em Napa.

“Entre vinho e vinagre” tem boa parte das melhores comediantes norte-americanas. Há o humor característico que consagrou a Amy Poehler, além de muito vinho e lavação de roupa suja. O filme é um convite para pensar na questão do envelhecimento, retratando até mesmo a homossexualidade de uma mulher mais velha. Assim, é importante mudar a mentalidade do mainstream para que abrace filmes que contem histórias de mulheres mais velhas.

Por Jéssica Reinaldo

Nós

Nós - Jordan Peele

Jordan Peele é um nome a se ficar atento. Gostando de terror ou não (mas, principalmente se você é um fã do gênero), Peele tem feito um trabalho digno de nota. Desde sua estreia com o excelente filme “Corra!“, de 2017, ou em suas produções com a sua produtora Monkeypaw, o diretor tem atingido um espaço importante na indústria cinematográfica. E neste ano, ele trouxe o filme “Nós”, com Lupita Nyong’o e Winston Duke como protagonistas.

A narrativa de “Nós” se concentra em uma família de classe média que viaja até a costa da Califórnia para descansar, mas quando um grupo estranho (e, bem, muito semelhantes a eles mesmos) aparecem diante de sua porta, as coisas tomam um rumo inesperado e o final de semana se torna um pesadelo para todos. A obra foi um dos grandes lançamentos do ano, que nos leva a questionar relações sociais, consumo e necessidades.

Por Adriana Ibiti

Capitã Marvel

melhores filmes de 2019

Carol Denvers (Brie Larson) já era o tipo de menina que pensava que podia fazer tudo o que os meninos faziam. Ela não se dava por vencida quando caía da bicicleta ou quando começou seu treinamento para ser piloto de caça. Denvers é resiliente e não liga quando os homens ao seu redor dizem que ela não pode fazer o que eles podem. Ela apenas faz, sem ter que provar nada pra ninguém. Denvers é uma heroína como muitas mulheres que nunca viram suas histórias contadas na tela, um exemplo pras meninas que sonham com grandes realizações.

A história da Capitã Marvel se passa na década de 90. Nesse momento, a Terra é envolvida em um conflito galáctico entre duas civilizações alienígenas e Denvers se transforma em uma das criaturas mais poderosas do universo. O longa, dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck, é o primeiro filme da Marvel com uma protagonista feminina, arrecadando mais de um bilhão de dólares em todo o mundo, marca inédita para uma produção protagonizada por mulher, além de ser a quarta bilheteria de 2019. Uma merecida continuação já está sendo preparada, o que prova que nosso protagonismo interessa.

Por Samantha Brasil

Bacurau

melhores filmes de 2019 - Bacurau

Bacurau“, dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é o grande sucesso do cinema brasileiro desse ano. Com sua estreia no Festival de Cannes arrebatou público e crítica, saindo do principal festival de cinema do mundo com o prêmio do júri. Um feito extraordinário tendo em vista o atual momento político brasileiro em que, apesar de estarmos experimentando nosso auge em termos de quantidade, qualidade e visibilidade audiovisual, há uma política de desmantelamento dos aparatos culturais em curso.

E o filme trata exatamente disso: uma política de extermínio orquestrada por interesses estrangeiros (mais notadamente estadunidenses) que visa tirar do mapa (literalmente) uma pequena cidade do interior nordestino, a Bacurau do título. O senso de comunhão é amplamente explorado no roteiro para que essa combalida comunidade resista à investida imperialista.

Com uma trilha sonora que bebe em Gal Costa, Sergio Ricardo, Geraldo Vandré e sintetizadores a la John Carpenter, a tensão se constrói com artifícios de diversos gêneros cinematográficos como o faroeste e o terror. As personagens femininas são forjadas de forma potente e cada uma a sua maneira nos instiga a repensar no papel das mulheres em filmes de guerra.

Por Carol Lucena

Mormaço

melhores filmes de 2019

Falando sobre a gentrificação no Rio de Janeiro e a violência que a cidade exerce sobre seus habitantes, a diretora Marina Meliande apresenta em “Mormaço” uma denúncia social, um olhar sobre o adoecimento na cidade, e traz uma atmosfera que vai ficando tensa até revelar um final surpreendente, que não poderia ser imaginado pelo começo do filme.

Em “Mormaço” temos duas protagonistas mulheres, cada uma representando duas classes sociais distintas, e através delas vemos como o status social determina de forma marcante as experiências que cada uma tem da cidade, mesmo que ambas tenham o mesmo objetivo, que é lutar contra a gentrificação e desapropriação de suas casas. Certamente um dos melhores filmes de 2019.

Parasita

Parasita - melhores de 2019

A família Kim é pobre, com todos os seus membros desempregados. Já a família Park é rica e privilegiada. Quando a primeira começa a trabalhar para a segunda, os abismos de classe ficam ainda mais evidentes.

Evitando o maniqueísmo, “Parasita” não aponta culpados individuais, mas investiga como a estrutura social desigual opera de forma opressiva. Passeando por vários gêneros diferentes e tomando rumos surpreendentes, o filme do diretor Bong Joon-Ho é um dos melhores do ano, tendo ganhado a Palma de Ouro, prêmio máximo no Festival de Cannes.

As Loucuras de Rose

As Loucuras de Rose - melhores filmes de 2019

Rose-Lynn Harlan (Jessie Buckley) é uma jovem escocesa que ama música country e sonha em se tornar uma grande cantora em Nashville, nos EUA. O obstáculo é que Rose tem alguns grandes problemas decorrentes de sua personalidade impulsiva e irresponsável. Ao contrário do que o título faz parecer, o filme é um belo e sensível drama, que mostra como a ajuda entre as mulheres é importante para que elas possam realizar seus sonhos.

Com uma mensagem balanceada, nem moralista nem romantizadora, “As Loucuras de Rose” emociona com o belo roteiro e as excelentes atuações, com destaque para Jessie Buckley no papel da protagonista. O filme conta com direção de Tom Harper.

Meditation Park

Meditation Park

Maria (Pei-Pei Cheng), uma doce senhora dona de casa, encontra uma calcinha no bolso da calça do marido. A partir daí ela começa a repensar sua vida e inicia um processo de independência, procurando empregos fora de casa e buscando aos poucos se afirmar perante o marido negligente.

Como imigrante de Hong Kong vivendo no Canadá, Maria ainda tem dificuldade no idioma, com seu inglês apenas básico. Mas é se integrando na comunidade ao redor, com seus vizinhos, que ela começa a descobrir que pode ser algo além de apenas a extensão de seu marido. É impossível não se afetar pela bela atuação de Cheng Pei-Pei no papel principal, contando também com a excelente Sandra Oh no papel de sua filha. O filme tem direção de Mina Shum.

Por Flávia Azolin

Turma da Mônica: Laços

melhores filmes de 2019

2019 foi um ano repleto de grandes adaptações dos quadrinhos para o cinema, e “Turma da Mônica: Laços” foi uma das mais célebres entre elas. Adaptando a novela gráfica dos irmãos Vitor e Luciana Cafaggi, o filme buscou trazer também elementos clássicos das aventuras da turminha nos gibis.

A Turma da Mônica é a história em quadrinhos mais conhecida e característica do Brasil, e tem como protagonista uma menina forte, sensível e líder. Giulia Benite transmitiu a essência da Mônica de forma excelente, bem como o restante do elenco, entregando um resultado que correspondeu às expectativas de um público de diferentes gerações.

Adaptar a identidade dos quadrinhos da Turma da Mônica é adaptar um elemento querido do imaginário brasileiro. Em um ano de Ultimatos e Coringas, talvez a singeleza de um conto emocional sobre crescimento, coragem e amizade tenha sido um pouco ofuscado. Ainda assim, “Turma da Mônica: Laços” não perde o mérito de ser uma adaptação primorosa que, condizente com seu título, acerta em conectar-se com o público que há décadas cria laços com os personagens do bairro do Limoeiro.

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Por Nah Jereissati

Rafiki

melhores filmes de 2019

Da diretora Wanuri Kahui com base no conto ugandense “Jambula Tree”, “Rafiki” mostrou sua força antes mesmo do lançamento: por sua temática, foi banido em seu próprio país de origem, o Quênia. O filme, em uma linguagem poética e repleto de cores neon, conta a história de Kena (Samantha Mugatsia) e Ziki (Sheila Munyiva), grandes amigas desde infância, apesar da rivalidade política de suas famílias. Ao longo dos anos, observamos o apoio e o afeto entre as duas se tornar um romance poderoso que se torna violento e inconcebível na comunidade onde vivem.

Em um retrato do amor jovem em uma de suas formas mais puras, “Rafiki” também aborda as nuances de uma sociedade conservadora que ainda nos toca muito pouco, por se situar numa região que normalmente marginalizamos culturalmente. Para além disso, o interessante do longa é nos dar uma amostra de como o olhar africano – no caso, de uma mulher africana – enxerga a cinematografia e as narrativas audiovisuais.

Por Aline Garcia

Alguém Especial

alguém especial

Nem só de “filme-cabeça” vive a cinéfila! Lançado em abril pela Netflix, “Alguém Especial” conta a história de Jenny Young (Gina Rodriguez), uma jornalista que convoca suas duas melhores amigas, Blair Helms (Brittany Snow) e Erin Kennedy (DeWanda Wise), para uma última aventura em Nova Iorque, antes que ela se mude para São Francisco.

Não bastassem os obstáculos com os compromissos profissionais delas, Jenny está se recuperando do término da noite anterior com Nate (Lakeith Stanfield), seu namorado há 9 anos. Blair e Erin tentam ajudar a amiga a navegar essa montanha-russa de emoções enquanto lidam com suas próprias vidas amorosas, além do impacto da notícia da mudança para a Califórnia na amizade das três.

Em uma noite louca – com direito a um presente ilícito pelo místico Hype (ator convidado, RuPaul) –, muitas temáticas profundas são abordadas. “Alguém Especial” é uma comédia romântica que parece inofensiva e conquista inicialmente com piadas e um sing-along de “Truth Hurts“, da Lizzo, mas que prova ao longo de seus 92 minutos que tem muito mais a oferecer.

Por Juliana Trevisan

Midsommar

Midsommar - melhores filmes de 2019

Com muito rebuliço e críticas, “Midsommar“, filme de Ari Aster, é uma obra exploratória e explícita. Repleto de elementos de uma cultura diferente da ocidental e americana, a obra tem a maior parte da narrativa em um festival que ocorre a cada 90 anos. A trama gira em torno da viagem de colegas antropólogos e da namorada de um deles rumo a essa descoberta cultural, como objeto de estudo e de novas experiências.

“Midsommar” nos apresenta uma interessante forma de analisar um relacionamento tóxico, que coloca a mulher como responsável por tudo, inclusive por lembrar ao parceiro o dia do seu próprio aniversário. Conforme há um afastamento dessa relação fraca, há o florescer de uma mulher e novas possibilidades para sua vida. É importante ressaltar que o filme contém cenas fortes e pode ser gatilho para algumas pessoas, mas contém diversos elementos exploratórios que tornam o filme completamente instigante.

Por Rafaella Rodinistzky

Papicha

Papicha

Atração do primeiro dia da 43ª Mostra Internacional de Cinema, “Papicha” retrata a resistência da jovem Nedjema (Lyna Khoudri) na Argélia dos anos 1990, período em que o país foi tomado de assalto pela guerra civil. Universitária apaixonada por design de moda, ela ganha dinheiro costurando e vendendo vestidos para outras garotas de sua idade, realizando entregas escondidas pelas boates da região ao lado de sua amiga Wassila (Shirine Boutella).

O desejo de ter sua própria loja e de viver uma vida normal com as amigas faz com que Nedjema se recuse a deixar a Argélia. As relações afetivas entre as mulheres do filme é o ponto alto da produção, que tira o foco do conflito em si e o desloca para a percepção feminina do que está ocorrendo efetivamente em suas vidas a partir da crescente onda de conservadorismo e radicalização do país.

“Papicha” é o primeiro longa da diretora argelina Mounia Meddour, que se mudou para a França aos 18 anos com a família, fugindo de ameaças de morte recebidas durante a guerra civil. O filme traz elementos autobiográficos de Meddour e, possivelmente, imagina como seria ter ficado e resistido na Argélia de 1990. A obra foi a escolhida do país para indicação ao Oscar 2020.

Por Clara Gianni

Vita e Virginia

Vita e Virginia - melhores filmes de 2019

Baseado na peça homônima de 1992, roteirizada por Eileen Atkins e com direção de Chanya Button, a trama de “Vita e Virginia” se debruça sobre o intenso e conturbado início do romance, e posterior amizade, entre as escritoras Virginia Woolf (Elizabeth Debicki) e Vita Sackville-West (Gemma Arterton) na Inglaterra dos anos 20, inspirada nas cartas que ambas as personalidades trocaram ao longo dos anos.

As duas não poderiam ser mais diferentes: enquanto Vita, ousada e impulsiva, gozava de relativo sucesso entre público e crítica com seus romances, os escritos de uma etérea e introspectiva Virginia ainda não haviam galgado a mesma popularidade. Nada disso impede que Vita se deixe seduzir pela qualidade dos textos misteriosos e quase metafísicos da outra, desejosa de se aproximar cada vez mais.

Embora hesitante, Virginia irremediavelmente se apaixona pela personalidade assertiva e provocadora de Vita, e o relacionamento de ambas se eterniza como grande inspiração dos textos de Woolf à época, em especial “Orlando, uma Biografia”, tido como “a mais longa e mais encantadora carta de amor em toda a literatura” por Nigel Nicholson, filho de Vita.

Por Gabriela Holanda

Booksmart

Booksmart - melhores de 2019

Nos últimos anos vimos o ressurgimento dos “filmes adolescentes” como um grande nicho do cinema, principalmente com o investimento intenso da Netflix nas produções. Testemunhamos o sucesso de “Lady Bird“, “Para Todos Garotos que já Amei”, “Quase Dezessete”, e em 2019, o coming of age mais cativante foi o “Booksmart“, dirigido pela maravilhosa da Olivia Wilde.

Apesar desse gênero ter tido um grande sucesso antigamente e também da grande maioria desses filmes serem protagonizados por mulheres, sempre foram os homens que dirigiram esses espaços. Basta lembrar do John Hughes sendo referência desse estilo. Portanto, somente a partir dos anos 2010 que conseguimos ver uma maior incidência de projetos femininos nesse cenário.

Com as pautas de representatividade e de maior consumo das produções culturais femininas (como o projeto #52filmsbywomen) e também de outras minorias sociais, fica cada vez mais urgente nos atentarmos ao nosso consumo de uma forma geral, pois ele também representa uma forma de valorização de nós mesmas enquanto mulheres.

“Booksmart” é um filme divertido e engraçado, representativo não somente de mulheres fortes, mas de pessoas LGBTQ, com um roteiro coeso e bem trabalhado, além de uma direção competente.

Por Jessica Bandeira

Dor e Glória

Dor e Glória

Ninguém sabe usar a linguagem cinematográfica tão bem quanto Pedro Almodóvar. “Dor e Glória” é um filme de sutilezas, onde o diretor passa sua mensagem através de outros elementos como o jogo de cores. A história do diretor que passa por uma crise, interpretado por Antonio Banderas, já foi usada e abusada no cinema, mas Almodóvar torna a experiência da história única.

“Dor e Glória” é uma ode de amor ao cinema, que dilacera seu coração, mas ao mesmo tempo faz com que você se sinta aconchegada. O filme mostra que podemos superar as adversidades da vida quando nos voltamos ao que amamos.


Edição e revisão por Isabelle Simões.

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